UFU 2015 — Questão 44 · Literatura

Literatura

UFU 2015 · Português

Texto de apoio O leitor brasileiro que porventura entrar em contato com a arte de Guimarães Rosa através de Primeiras Estórias inevitavelmente haverá de experimentar um choque, devido à agressiva novidade de estilo, à qual os leitores antigos do autor se vêm habituando progressivamente (falamos no leitor brasileiro, porque o estrangeiro, que a conhecer através da tradução, terá forçosamente sob os olhos um texto atenuado e filtrado, adaptado pelo tradutor aos padrões existentes da língua acolhedora).

Lembre-se de que o autor fez sua aparição na literatura como escritor regionalista. Não adotara, porém, nenhuma das três técnicas à disposição do regionalismo: servir-se da linguagem regional indistintamente em todo o livro, restringi-la à fala das personagens, ou substituí-la integralmente por uma linguagem literária, convencional. A quarta solução, adotada por ele, consistia em deixar as formas, rodeios e processos da língua popular infiltrarem o estilo expositivo e as da língua elaborada embeber a linguagem dos figurantes. Disse língua elaborada e não culta: Guimarães Rosa, conhecedor dos mais profundos do idioma, não se satisfaz em explorar-lhe todo o tesouro registrado e codificado, mas submete-o a uma experimentação incessante, para testar-lhe flexibilidade. Daí um estilo personalíssimo, que das obras de caráter regionalístico se alastrou por toda obra de ficção de nosso autor, e até por suas raras produções ensaísticas. [...] RÓNAI, Paulo. Os vastos espaços. In: ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 4a ed., Rio de Janeiro: José Olympio, 1968, p. Xl-XlI. (Fragmento)

―Mamãe, Mamãe!

―Que é minha filha?

―Nós não somos nada nesta vida.

Todos os Santos -Rio de Janeiro-Dezembro de 1921-janeiro de 1922.

BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. Tecnoprint/Ediouro, s/d. p. 77.

De acordo com o trecho acima, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A
    O diálogo entre dona Engrácia e sua filha Clara simboliza de forma alegórica a desumanização da mulher negra e pobre, numa sociedade regida por D. Pedro I, mas manipulada por uma elite branca preconceituosa.
  2. B
    Este pequeno diálogo pode ser considerado uma metáfora de uma classe social típica da Primeira República: indivíduos escravos, sem perspectiva de ascensão econômica, os quais lutavam pela assinatura da Lei Áurea.
  3. C
    O diálogo entre Clara e sua mãe, Engrácia, que aparece ao final do romance Clara dos Anjos, publicado em plena Monarquia, simboliza a falta de perspectiva da mulher negra, analfabeta e pobre.
  4. D
    Este pequeno diálogo, que fecha o final do romance Clara dos Anjos, pode ser considerado uma metáfora do sofrimento de uma classe social que, mesmo com a assinatura da Lei Áurea, continuava estigmatizada etnicamente.

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Fonte: UFU 2015

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