PROCON GO 2017 — Questão 6 · Oração subordinada

Oração subordinada

PROCON GO · Português

Texto para as questões de 1 a 6.

 

1 A sociedade contemporânea, definida por muitos

como pós-moderna, é caracterizada por um discurso

polissêmico, isto é, não há um sentido próprio atribuído

4 ao ser, tampouco à vida. Desse modo, cabe ao indivíduo a

busca por aquilo que o defina e, consequentemente, lhe

sirva de norte, dada sua extrema liberdade.

7 Apesar de toda essa liberdade, existe uma lei que

todos ainda devem seguir, a lei do mercado. O mercado,

assim, se apresenta como uma forma de sentido à vida,

10 moldando a personalidade dos indivíduos e construindo

seus valores. Entretanto, na sociedade de consumo,

as mercadorias não possuem apenas o valor de uso e de

13 troca, adquirindo, sobretudo, o valor simbólico, ou seja, os

objetos passam a determinar um referencial para as

pessoas.

16    Essa ideia é proposta pelo francês Jean Baudrillard,

segundo o qual os objetos possuem signos que são

impostos pelo sistema hegemônico. A mídia, por exemplo,

19 determina o valor que os produtos possuem por meio de

slogans que exaltam determinadas marcas. Dessa forma,

as pessoas são “retribalizadas” segundo o que consomem,

22 já que não é a personalidade que as define, mas, sim, o

que consomem.

   É nesse ponto que o mercado age, associando o

25 consumo de determinados produtos a vidas

bem-sucedidas e felizes, o que faz pressupor que aqueles

que não consomem ou que consomem produtos sem

28 marca ou de marcas não renomadas são tristes, infelizes.

O mercado utiliza-se, portanto, do consumismo para

definir aquilo que o indivíduo deve ser (e ninguém projeta

31 uma vida infeliz).

   As mercadorias, nesse contexto, são analisadas

pelo signo que comunicam – como uma vida

34 bem-sucedida –, deixando-se de considerar sua utilidade.

Sendo assim, pouco importa se determinado produto é ou

não, de fato, necessário; essa relação está obsoleta,

37 deve-se considerar o seu valor sígnico, ou seja, a

mensagem deixada pelo consumo de tal produto.

   Nesse contexto de extrema liberdade, ser livre é

40 poder consumir o que se deseja. Todavia, ao se aceitar a

ideia construída em torno do consumo como significado

da existência, ganha-se como brinde a lei do mercado, e

43 nela o indivíduo não é apenas consumidor, é também

mercadoria e, sendo mercadoria, como qualquer outra, é

analisado pelos signos que possui perante a sociedade.

46 Assim, segundo Zygmunt Bauman, as pessoas buscam

pelo consumo aumentar seu valor sígnico, pois: “Na

sociedade de consumidores, todos nós somos

49 consumidores de mercadorias, e estas são destinadas ao

consumo; uma vez que somos mercadorias, nos vemos

obrigados a criar uma demanda de nós mesmos”.

52Essa ‘demanda de nós mesmos’, como dito, é

construída pelo que consumimos, visto que, em uma

sociedade onde os valores são determinados por aquilo

55 que se consome, faz-se necessário consumir para possuir

valor, inclusive, enquanto indivíduos socialmente e

sexualmente atrativos para o mercado. E sempre haverá

58 outras oportunidades no mercado acenando com valores

maiores.

   

Internet: <www.revistapazes.com> (com adaptações).

Assinale a alternativa correta no que se refere à classificação da oração subordinada destacada do texto.

Alternativas

  1. A

    “que exaltam determinadas marcas” (linha 20) – adjetiva com sentido explicativo

  2. B

    “já que não é a personalidade” (linha 22) – adverbial com sentido consecutivo

  3. C

    “para definir aquilo” (linhas 29 e 30) – adjetiva com sentido restritivo

  4. D

    “se determinado produto é ou não, de fato, necessário” (linhas 35 e 36) – adverbial com sentido condicional

  5. E

    “ao se aceitar a ideia construída em torno do consumo como significado da existência” (linhas de 40 a 42) – adverbial com sentido temporal

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Fonte: PROCON GO

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