IFMT 2017 — Questão 30 · Pressupostos e subentendidos

Pressupostos e subentendidos

IFMT · Português

INSTRUÇÃO:

Leia atentamente o texto abaixo

para responder à questão 30


Torno a ver-vos, ó montes; o destino

Aqui me torna a pôr nestes outeiros,

Onde um tempo os gabões deixei grosseiros

Pelo traje da Corte, rico e fino.


Aqui estou entre Almendro, entre Corino,

Os meus fiéis, meus doces companheiros,

Vendo correr os míseros vaqueiros

Atrás de seu cansado desatino.


Se o bem desta choupana pode tanto,

Que chega a ter mais preço, e mais valia

Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,

Aqui descanse a louca fantasia,

E o que até agora se tornava em pranto

Se converta em afetos de alegria.


(Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

Alfredo Bosi, em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (São Paulo: editora Cultrix, 2006), afirma que tivemos dois momentos do Arcadismo no Brasil: o poético, em que o retorno à tradição clássica dialoga com os modelos e a valorização da natureza e da mitologia; e o ideológico, influenciado pela filosofia presente no Iluminismo, que criticou a burguesia culta, os abusos da nobreza e do clero. Dessa forma, ao considerarmos o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção em que se estabelece a relação entre o poema e o momento histórico de sua produção.

Alternativas

  1. A

    Os “montes” e “outeiros”, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, e revela a Aurea Mediocritas em que os poetas, autointitulados pastores, exaltavam a vida simples, equilibrada, espontânea e humilde. Para ser feliz, bastava estar em comunhão com a natureza, ou seja, o lugar onde o poeta se vestiu com traje “rico e fino”.

  2. B

    O Bucolismo/Pastoralismo presente nas imagens do poema é elemento estético presente no texto, pois nele é retratada uma natureza tranquila e serena, procurando o “Lócus Amoenus”, um refúgio calmo que se assemelhava com os centros urbanos monárquicos. O burguês culto buscava na natureza o que observava na aristocracia.

  3. C

    A dicotomia entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição (cidade X campo) vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia.

  4. D

    A relação de vantagem da “choupana” sobre a “Cidade”, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz o Carpe diem, que significa aproveitar o dia, viver o momento com grande intensidade. Foi a atitude assumida pelos poetas-pastores, que acreditavam que o tempo não parava e, por isso, deveria ser vivido plenamente em todos os sentidos.

  5. E

    O atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representado esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

Consulte a resposta

Visitantes podem consultar seis questões. Com uma conta gratuita, consulte até 20 por dia; no plano pago, todas sem limite.

Fonte: IFMT

Mais questões de Português