Prefeitura de Cristalina 2018 — Questão 39 · Emprego dos elementos de referenciação (coesão referencial)
Emprego dos elementos de referenciação (coesão referencial)
Prefeitura de Cristalina · Português
Texto para as questões de 36 a 39.
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1-------Uma das observações que devem ser feitas sobre as
diferenças entre uma gramática descritiva e outra
normativa é que, além do caráter prescritivo desta estar
4 ausente naquela, a gramática descritiva não pode valer‐se
de critérios estéticos (bonito, elegante, fino etc.), puristas
ou quaisquer outros menos científicos. Uma gramática
7 descritiva deve dizer, da forma mais objetiva possível, como
é uma língua ou uma variedade, como é usada essa língua
ou essa variedade.
10-------Os linguistas têm desenvolvido gramáticas
descritivas das línguas ou de suas variedades à luz de
diferentes quadros teóricos produzidos no interior da
13 linguística. Assim, por exemplo, pode‐se descrever uma
variedade utilizada por determinado grupo de falantes –
variedade que pode coincidir ou não com a norma culta –,
16 estabelecendo‐se as suas regras de formação e uso; essa
descrição poderá enfocar aspectos sintáticos, semânticos,
fonéticos etc. Em suma, as gramáticas, apesar de não
19 avalizarem preconceitos linguísticos, elegem variedades a
serem descritas e o fazem segundo determinado construto
teórico, o que faz com que também elas não sejam neutras.
22-------Outra diferença entre gramática normativa e a
descritiva é a noção de erro. Para a primeira, toda realização
linguística que esteja fora dos padrões estabelecidos como
25 ideais é considerada errada. E, para a gramática descritiva,
existe erro? Sim: segundo essa concepção de gramática, é
erro o que não ocorre sistematicamente na língua, em
28 nenhuma de suas variedades. Suponha‐se, por exemplo,
que o enunciado “a gente vamos” não tenha sido
encontrado em um estudo descritivo da norma culta falada
31 no Brasil; mas, confirmando‐se que essa construção ocorra
sistematicamente em outra variedade do português, ela
não é um erro, e sim uma inadequação à norma culta.
34-------Além das gramáticas normativa e descritiva, pode‐se
considerar mais um conceito de gramática, a internalizada.
De acordo com esse conceito, saber uma língua pode
37 ser entendido como ter internalizada a gramática dessa
língua. É segundo essa perspectiva que se diz que todo
falante nativo do português sabe o português, sabe a
40 gramática de sua língua e conhece as diferenças das
variedades linguísticas com as quais tem contato. Assim,
vistas sob essa perspectiva, concordâncias como “a gente
43 vamos” e “nós vai” não são erradas, já que são fruto do
conhecimento linguístico de falantes do português no
Brasil. São fruto de um processo de construção de uma
46 gramática que teve como base as relações sócias
vivenciadas pelo falante e uma capacidade para a
linguagem, inata e presente em todos os seres humanos
49 que não possuem patologias que os impeçam de
construí‐la.
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Marina Célia Mendonça. Língua e ensino: políticas de fechamento. In: Fernanda Mussalim e Ana Cristina Bentes (orgs.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras. v.2. 3.ª ed. São Paulo: Cortez, 2003, p. 237‐8 (com adaptações).
Considerando os mecanismos de coesão no texto, assinale a alternativa em que há correta correspondência entre o termo ou expressão destacados e o respectivo elemento de referência.
Alternativas
- A
“naquela” (linha 4) – “gramática descritiva” (linha 2)
- B
“o”, em “o fazem” (linha 20) – “avalizarem preconceitos linguísticos” (linha 19)
- C
“o”, em “o que faz” (linha 21) – “construto teórico” (linhas 20 e 21)
- D
“essa construção” (linha 31) – “norma culta falada no Brasil” (linhas 30 e 31)
- E
“essa perspectiva” (linha 38) – “gramática dessa língua” (linhas 37 e 38)
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Fonte: Prefeitura de Cristalina