IFPA 2022 — Questão 27 · Norbert Elias

Norbert Elias

IFPA · Sociologia

Ao estudar uma comunidade, vemo-nos diante de uma grande variedade de problemas. A questão é saber se todos são igualmente centrais para compreendermos o que confere a um grupo de pessoas um caráter especifico: o caráter de uma comunidade. É perfeitamente possível decompor os problemas de uma comunidade em várias categorias e examiná-los um a um. Podemos distinguir os aspectos econômicos, históricos, políticos, religiosos, administrativos e outros de uma comunidade, estudar cada um deles separadamente e, na conclusão, indicar da melhor maneira possível como eles se interligam. Mas também é possível inverter essa abordagem e indagar o que vincula os dados econômicos, históricos, políticos e de outra natureza como aspectos de uma comunidade. Quais são, em outras palavras, os aspectos comunitários específicos de uma comunidade? (ELIAS, Norbert & SCOTSON, John L. 2000. Os Estabelecidos e os Outsiders: Sociologia das Relações de Poder a partir de uma Pequena Comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,2000, p. 165)


As palavras de Norbert Elias nos conduzem a algumas reflexões acerca de uma categoria cara à Sociologia: Comunidade. São inúmeras as abordagens sociológicas que se debruçam sobre a referida categoria. Diante disso, acerca do debate sobre “Comunidade”, dentro das diversas tradições sociológicas, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A

    Em Zygmunt Bauman, encontramos o que será denominado de comunidades de guarda-casacos [cloakroom communities], alusivas ao fato de como as comunidades contemporâneas são constituídas sem laços de longo prazo. Tais comunidades tendem a ser voláteis, passageiras, ou seja, metáforas para identidades que seriam vestidas para uma ocasião.

  2. B

    Em Georg Simmel, as características da comunidade, pode-se dizer, são baseadas no ânimo e nas relações pautadas pelo sentimento. Tais características estão predominantemente presentes na atitude espiritual [geistig] dos habitantes da grande cidade.

  3. C

    Em Max Weber, uma relação social denomina-se relação comunitária na medida em que a atitude, na ação social, repousa no sentimento subjetivo dos participantes de pertencer, racional ou tradicionalmente, ao mesmo grupo.

  4. D

    Em Émile Durkheim, o debate acerca da comunidade surge associado à discussão da divisão do trabalho social e dos tipos de solidariedade provenientes dela. Quanto menos especializada a divisão do trabalho, mais evidente os “elementos comunitários” (tendência de semelhança entre os membros, coesão menor, grupos maiores, etc) em uma determinada organização social.

  5. E

    Em Ferdinand Tönnies, a comunidade [Gemeinschaft] consiste num grupo humano que vive e habita lado a lado, que não é demarcado espacialmente, e cujos componentes não estão ligados organicamente, mas organicamente separados.

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Fonte: IFPA

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