UFU 2024 — Questão 2 · Análise das estruturas linguísticas do texto

Análise das estruturas linguísticas do texto

UFU · Português

[...] 18 DE JULHO - Levantei as 7 horas. Alegre e contente. Depois que veio os aborrecimentos. Fui no deposito receber... 60 cruzeiros. Passei no Arnaldo. Comprei pão, leite, paguei o que devia e reservei dinheiro para comprar Licor de Cacau para Vera Eunice. Cheguei no inferno. Abri a porta e pus os meninos para fora. A D. Rosa, assim que viu o meu filho José Carlos começou impricar com ele. Não queria que o menino passasse perto do barracão dela. Saiu com um pau para espancá-lo. Uma mulher de 48 anos brigar com criança! As vezes eu saio, ela vem até a minha janela e joga o vaso de fezes nas crianças. Quando eu retorno, encontro os travesseiros sujos e as crianças fétidas. Ela odeia-me. Diz que sou preferida pelos homens bonitos e distintos. E ganho mais dinheiro do que ela.

Surgio a D. Cecilia. Veio repreender os meus filhos. Lhe joguei uma direta, ela retirou-se. Eu disse:

—Tem mulher que diz saber criar os filhos, mas algumas tem filhos na cadeia classificado como mau elemento.

Ela retirou-se. Veio a indolente Maria dos Anjos. Eu disse:

— Eu estava discutindo com a nota, já começou chegar os trocos. Os centavos. Eu não vou na porta de ninguém. E vocês quem vem na minha porta aborrecer-me. Eu nunca chinguei filhos de ninguém, nunca fui na porta de vocês reclamar contra seus filhos. Não pensa que eles são santos. É que eu tolero crianças. [...]


JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2014.


A escolha de uma variedade linguística socialmente estigmatizada, apresentada no trecho acima, influencia o estilo da narrativa de Carolina Maria de Jesus, na medida em que

Alternativas

  1. A

    a linguagem informal e cotidiana, permeada por desvios ortográficos, manifesta-se predominantemente na descrição objetiva dos eventos, minimizando a expressão particular da narradora.

  2. B

    o texto se caracteriza por utilizar uma linguagem informal e cotidiana, com a presença de desvios ortográficos, enfocando na narração direta dos eventos, embora mantenha uma postura de imparcialidade e distanciamento.

  3. C

    a linguagem do texto é informal, cotidiana e inclui desvios ortográficos, refletindo as vivências pessoais da narradora de maneira expressiva e imediata.

  4. D

    a narrativa utiliza uma linguagem informal, cotidiana e inclui desvios ortográficos que, ao construir uma estrutura complexa e estilizada, afasta o leitor da realidade da narradora.

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Fonte: UFU

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