Universidade Estadual de Goiás 2025 — Questão 7 · Análise das estruturas linguísticas do texto
Análise das estruturas linguísticas do texto
Universidade Estadual de Goiás · Português
Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.
A desinformação como grande vilã
1 Harari defende, em Nexus, que as sociedades tomam decisões desastrosas porque são guiadas por más
2 informações.
3 Se somos tão inteligentes, por que tomamos decisões tão estúpidas? Esta é a provocativa pergunta que o
4 historiador israelense Yuval Noah Harari, 48 anos, busca responder em seu mais novo livro, Nexus – Uma Breve
5 História das Redes de Informação Desde a Idade da Pedra Até a IA, lançado no Brasil em setembro de 2024.
6 Partindo da premissa – questionável – de que algo está fundamentalmente errado no modo como
7 transmitimos informações ao longo da história, o autor dos best sellers Sapiens e Homo Deus nos convida a
8 acompanhar o papel da comunicação na evolução da sociedade.
9 Harari sugere que esse sistema apresenta falhas há muito tempo, levando-nos, potencialmente, ao caminho
10 da autodestruição – que, em sua visão, está dobrando a próxima esquina.
11 Apesar do cenário sombrio que descreve, Harari insiste em se autodefinir como um otimista. A tese central
12 do livro é que, ao longo da história, não erramos apenas por debilidades inerentes à natureza humana, mas também
13 porque fomos guiados por informações de má qualidade. E ele argumenta que ainda há tempo para reverter essa
14 sucessão de erros.
15 A solução, defende ele, é oferecer às pessoas informações de qualidade. Para o autor, a má informação é
16 responsável por fenômenos como o apoio a ditadores, a eleição de líderes incompetentes ou mal-intencionados e
17 decisões desastrosas que impactam o futuro do meio ambiente e da humanidade.
18 E o paradoxo atual é que, apesar de termos ferramentas tecnológicas altamente avançadas para tratar
19 informações, estamos perdendo a capacidade de debater, justamente no momento em que mais precisamos disso. A
20 partir desse cenário, ele empreende uma análise mais profunda de como a Inteligência Artificial (IA) e os avanços
21 científicos podem causar mais danos do que benefícios.
22 Harari aponta uma diferença fundamental entre democracias e ditaduras: a forma como cada um dos regimes
23 administra informações. Enquanto as ditaduras se concentram no controle e na manipulação de dados –
24 frequentemente baseados em mentiras –, as democracias têm potencial de avaliar e corrigir informações incorretas. A
25 avalanche de desinformação alimentada pelas novas tecnologias, no entanto, prejudica essa capacidade.
26 Na primeira parte do livro, Harari nos conduz por um vertiginoso percurso histórico, conectando eventos
27 como o uso das tábuas assírias, a Revolução Industrial, o Holocausto e até mesmo o impacto da disseminação da
28 televisão na Índia.
29 Na segunda metade – a mais interessante –, o foco recai sobre a Inteligência Artificial e os potenciais riscos
30 que ela traz à democracia. “Informação é ferramenta”, enfatiza o autor, e não conhecimento propriamente dito.
31 Segundo ele, a informação, se mal administrada, pode nos levar a um colapso. Seu uso correto, por outro lado,
32 poderia evitar decisões catastróficas.
33 Harari explora um dos motivos pelos quais a humanidade tem se rendido à desinformação desde a Idade da
34 Pedra: as mentiras são mais atraentes que a verdade. Uma mentira pode ser fabricada para ser convincente e
35 apelativa, mas a verdade, sendo complexa e exigente, demanda mais esforço para ser construída e, depois,
36 compreendida.
37 Ele destaca que a IA, se usada corretamente, poderia promover o acesso de milhões de pessoas a
38 informações confiáveis, ajudando na tomada de decisões políticas, legais e mesmo militares. A mesma IA pode,
39 porém, tornar-se um “telão de silício”, isolando os humanos das decisões críticas sobre seu próprio destino.
40 Para equilibrar essa balança, Harari defende o fortalecimento de instituições como meios de comunicação,
41 academias e comitês científicos, que atuariam como guardiões da verdade. Ele argumenta que a democracia precisa
42 ir além do ato eleitoral, garantindo mecanismos para fiscalizar e validar informações de modo contínuo e ordenado.
43 Por isso, afirma, regimes autoritários concentram seu poder nos esforços em deslegitimar as instituições que
44 sustentam a verdade.
45 O livro também aborda a urgente necessidade de regulamentação da IA. Harari sugere que o controle não se
46 limite ao que os cidadãos publicam nas redes sociais. A ênfase, a seu ver, deveria recair sobre o que algoritmos
47 fazem com essas publicações.
48 Se a humanidade se rende a esse sistema desde a Idade da Pedra é porque a mentira é mais atraente que a
49 verdade.
50 O autor critica duramente a ideia de se permitir que grandes corporações tecnológicas administrem os
51 algoritmos como bem entendem e propõe maior investimento social em instituições ligadas à sociedade civil que se
52 mostram atentas aos avanços da indústria do algoritmo.
53 Comparado a Sapiens e Homo Deus, Nexus é uma obra mais arriscada, pois se apoia em suposições e
54 projeções sobre o futuro. Apesar disso, é inegavelmente útil para que se compreenda o impacto crescente da IA em
55 nossas vidas. O autor argumenta, por exemplo, que a IA poderia estar contribuindo para calcular os danos ambientais
56 e planejar projetos para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
57 Embora a obra traga insights valiosos, Harari parece perder o foco em alguns momentos. Aqui o estilo claro e
58 meticuloso, sua marca como divulgador científico, cede espaço a uma tentativa de se posicionar como “oráculo” do
59 futuro da humanidade – um caminho no qual se pode facilmente tropeçar.
60 Ainda assim, Nexus é uma leitura provocativa e relevante, especialmente em tempos de polarização e
61 avanço tecnológico acelerado. Harari, que dedica duas horas diárias à meditação e acredita que isso melhora sua
62 capacidade de reflexão, nos convida a questionar não apenas o impacto da IA, mas a qualidade das informações que
63 moldam nossas decisões.
COLOMBO, Sylvia. A desinformação como grande vilã. Revista Carta Capital. 29 de janeiro de 2025. Ano XXX, n. 1346. p. 52 e 53. (Adaptado).
No texto, ao usar palavras e expressões como “caminho” (linha 9), “dobrando a próxima esquina” (linha 10), “ferramenta” (linha 30), “balança” (linha 40), “guardiões” (linha 41), o autor expressa suas ideias por meio de uma linguagem
Alternativas
- A
metalinguística
- B
metonímica
- C
metafórica
- D
emotiva
- E
conativa
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Fonte: Universidade Estadual de Goiás