Prefeitura de Brusque 2026 — Questão 38 · Língua Portuguesa

Língua Portuguesa

Prefeitura de Brusque · Português

Poema

Leia o poema de Hilda Hilst:

Que este amor não me cegue nem me siga.

E de mim mesma nunca se aperceba.

Que me exclua do estar sendo perseguida

E do tormento

De só por ele me saber estar sendo.

Que o olhar não se perca nas tulipas

Pois formas tão perfeitas de beleza

Vêm do fulgor das trevas.

E o meu Senhor habita o rutilante escuro

De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente

E farta de fadigas. E de fragilidades tantas

Eu me faça pequena. E diminuta e tenra

Como só soem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

Leia com atenção o trecho abaixo:

Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto-autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no intróito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

No fragmento acima, a construção da voz que relata a história introduz uma instigante variação no que diz respeito aos tipos de narrador.

Assinale a alternativa correta com base no trecho e na teoria do foco narrativo.

Alternativas

  1. A

    O uso da expressão “defunto-autor” sinaliza a transição para um narrador em terceira pessoa (narrador-observador), que se limita a relatar fatos alheios com total isenção e objetividade, sem participar dos acontecimentos descritos.

  2. B

    A menção a Moisés e ao Pentateuco justifica a presença de um narrador-onisciente tradicional, cuja principal característica é manter uma postura moralizante e prever o destino de todas as personagens de forma linear.

  3. C

    Trata-se de um caso clássico de narrador-testemunha, no qual o falecido utiliza a primeira pessoa apenas para descrever a vida de terceiros, omitindo deliberadamente suas próprias experiências e sentimentos.

  4. D

    A escolha por iniciar a narrativa pela morte anula a subjetividade do foco narrativo, transformando o “defunto-autor” em uma voz impessoal e coletiva que representa o pensamento unânime de todas as classes sociais da época.

  5. E

    A obra adota um narrador-personagem, mas subverte as convenções tradicionais desse modelo ao situar a perspectiva da voz narrativa no além-túmulo, conferindo-lhe um distanciamento crítico inacessível aos vivos.

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Fonte: Prefeitura de Brusque

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