UEA 2014 — Questão 7 · Literatura · Leitura literária

Literatura · Leitura literária

UEA Macro 2014 · Português

As acapuranas e o rio

As acapuranas, que árvores solenes!,
aqui de frente de casa
na beirinha do Andirá,
ficam indisfarçadamente desgostosas
quando as águas da cheia começam a subir
pelos seus troncos centenários,
mas muito bem conservados e roliços.
Encolhem as suas favas,
os galhos pendem cabisbaixos.

Elas são quatro, mas de tão juntinhas,
quem vê de longe pensa que é uma só.
Já escutei quando a maior delas
disse para um banzeiro emproado:
Pode bater, que daqui a gente não sai.

Ontem eu quis a sesta à sombra delas,
o rio ficou longe na vazante.
A nossa amizade de vinte anos
me pede a verdade: elas estão
com faceirices de moça no verão.
Aconchegaram a minha fadiga
de tantas páginas defronte das águas.

Mas quando abri devagarinho os olhos,
me espantei, depois sorri, ao ver
as folhas delas dançando e chamando
o rio para subir, vir mais para pertinho,
lamber devagar os seus troncos,
porque tinham delícias para dar.

(Thiago de Mello. Campo de milagres, 1998.)

O eu lírico apresenta as acapuranas como árvores

Alternativas

  1. A
    exóticas, que ainda não se adaptaram ao atual hábitat e sofrem constantemente.
  2. B
    vigorosas, embora estejam sucumbindo às constantes investidas das águas.
  3. C
    robustas, mas capazes de movimentos delicados e até mesmo sensuais.
  4. D
    suntuosas, que demonstram indiferença às alterações do meio à sua volta.
  5. E
    secas, que somente produzem frutos quando são encobertas pelas águas do rio.

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Fonte: UEA Macro 2014 · Consultar referência

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